quarta-feira, 4 de maio de 2011

Persona 1


Nem um blues, time keeps movin’on! Nem Chivas Regal para segurar o sono da meia-noite. Nada, nada. Nenhuma conversa desnuda, só medo do desejo. Será possível sobreviver à contaminação?  

Viver sem conviver com a desorganização, em concha. Tem medo de mim, de mim, de saber de mim? Quem é você? Sobram tantas suposições. Carro novo, roupa nova, trabalho surgindo em pencas na precariedade dos dias sem vazão. Trânsito caótico, aflição dormindo no ponto. Onde é que foram parar as vontades? Por que temos que nos esquecer daquilo que fomos de melhor? Por que não podemos ser ainda melhores do que fomos?

Será um viver em regressão? Fechar as portas que foram abertas, abafar as experiências, colocá-las num mostruário de fomes enredadas e nunca mais vividas. Não dá para zonear a zona de conforto? Você tem medo da dor? Dá para quebrar esse espelho? Dói mais com ele nos olhando todos os dias. Talvez se nos libertássemos dele, suportaríamos o corte e ficaríamos com as surpresas. Buscar a perfeição é fantasiar demais. Ser perfeito é uma fantasia?