quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Para um Raimundo

Não tenho aspirações nem vontades
escrever é uma maneira de estar só

Ou quando a lua se despe e acontece o silêncio dos grilos

O amor muda-nos com os olhos fechados
invasão concedida sem conceber

Do quintal da minha casa posso ver o universo
alcançar as esferas e nomeá-las como minhas

O mundo é do tamanho do que sou
e mais leve do que o peso na balança

A mim ensinou-me tudo
apontou-me que há o início das árvores quando olhamos para baixo
cutucamos fundo até encontrar a ponta de suas raízes

Mundo profundo olhado depois do asfalto

Vasto como o Raimundo que mora na esquina do meu cafezal
menino travesso com olhos de devoção