terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ás de espadas II



O Alan Parson's Project tem um trabalho baseado no tarô que é muito legal, vou postar mais aqui. Gosto do começo trovadoresco dessa música feita para o ás de espadas; me sugere a energia de um duelo medieval.




O ás de espadas tem esse tom metálico do desafio, do chamado para colocar a coragem mental em uso – aquela elaborada, menos quente e impulsiva do que a coragem imediata, reflexa. E os seus significados derivam do princípio de bravura que se mostra em um duelo: estratégia, coragem, rapidez mental, perspicácia, mas também nobreza e verdade. O que sugeriria a espada como um slogan antigo, pintado em um estandarte em uma feira da Idade Média*?




Segredinho que se aprende no tarô e se entende no naipe de espadas: essa carta, como todas as outras, pode ter outros significados quando vista por um outro prisma: no mundo simbólico, tudo depende do contexto. E tudo muda o tempo todo dentro de uma ordem intrínseca. O símbolo corre atrás de ideias, por isso não pode estacionar...
E vale farejar: é a segunda vez que o ás de espadas sai na mesa dessa casa. A pergunta mais interessante não é: "O que isso significa?", porque não significa nada, ainda: só passa a significar depois do eco afetivo. A melhor pergunta é: "O que mais pode ser conhecido/intuído/pensado a respeito do que é visto nesse símbolo?"
E aí as respostas são infinitas**.


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* Os filmes americanos em geral tendem a projetar uma Idade Média idealizada, limpinha (e este aqui nem pretende chegar perto do realismo). Decameron e o Contos de Canterbury, do Pasolini, são filmes que dão um gosto medieval bem mais próximo de como as coisas deveriam ser. Pra acabar com qualquer fantasia infantil com princesas da Disney, e criar outras mais interessantes.

** Questão do reino de espadas, o naipe mais temido do tarô: a reflexão, quando é orientada pela lógica, também pode ser infinita, como a matemática... Em espadas vemos a vida como quebra-cabeças e recortamos as peças para guardar na caixa da memória. Depois, as reorganizamos de inúmeras formas possíveis para se encaixarem com coesão no contexto presente. Nossa mente faz isso automaticamente, mas pode obedecer à nossa vontade consciente quando aprendemos a lidar com os pensamentos, que caminham em círculos ou em espiral – descendente ou ascendente. Então, podemos reconstruir as narrativas que nos amarram e criar outras, mais condizentes com nossos objetivos.
(Hm, em espadas também corremos o risco de confundir palavra com palavrório. Há que tomar cuidado para distinguir. No ÁS, princípio das cartas numeradas, a verdade ainda é o silêncio.)