quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Me deixas louca."

Não venha me falar de nada que não seja OURO PRETO – tentativa primeira – apresentação!

Só dessa vez vamos deixar as palavras germinarem. Os “sonhos barrocos deslizarem pelas pedras”. Dirceu caminha apressado para encontrar Marília no chafariz. Quer se casar? Santificado está. Lá é o ponto de encontro para os que amam, para os que sonham. 

A cada passo uma ladeira, uma igreja roubando o olhar. Elas disputam altura, plenitude, se desarranjam na beleza incansável de seus formatos imemoriais. 

A cada esquina a simbiose do prazer e da felicidade. A vivência crônica de reminiscências de outros tempos. 

Uma cidade mergulhada no passado, redesenhada em cada micro arquitetura, feita em pedra-sabão, da igreja setecentista. A poesia dança como menina travessa em dias de chuva. “Como chove, como pinga no país das remembranças. Como bate, como fere, como transpassa a medula.” Nada, nada a traduz.

Representar, redesenhar sem alargar o que já salta aos olhos. Os artistas usam o tempo na tentativa de imitá-la, emoldurá-la ainda que sejam em algumas de suas minúcias. Ouro Preto é plenitude. Lá você se torna erótico, excita-se com as luzes da Rua Direita, com os pubs escada abaixo que vão embalá-lo no melhor jazz e depois consolá-lo ao som do blues e da Tequila Sunrise.
Imaginação dos tempos de outrora ou de um tempo imaginável? 

Apreciações do tempo em noites belas acompanhadas pelas chuvas que a deixam ainda mais charmosa. Nessa cidade as sombrinhas dançam todos os ritmos, se descobrem no claro e no escuro. A fantasia aterrissa nas esquinas e ladeiras da antiga Vila Rica... 

Sonhar acordado? 

Pedra sobre pedra. História sobre história. Desejos se redescobrindo nos arrepios dos pelos.
Feições em esculturas, tente levar Ouro Preto em pedras para casa.

Quer saber mais sobre arte barroca? Pergunte para o menino dormindo ao lado da Igreja Pilar, questione o vendedor de ingressos para o passeio ferroviário, ou espere ser pego por algum guia maluco, porque a beleza e a dor de sua história já contaminaram a todos que estão por lá. Dor pela cidade feita pelos escravos e que agora transformou em museus e restaurantes as suas senzalas.

Sinta o cheiro, toque os porões. Permita-se trabalhar em uma mina, tudo o que toca mais profundo é ouro que reluz nas pontas dos dedos! 

Ah, Ouro Preto que ficou em meus devaneios, em minha memória, imagem a ser feita e ressignificada em toda e qualquer tentativa-poesia. Ser ou não ser? Nada de aspirações. Cai a chuva por entre os vãos que palmilham nos paralelepípedos, gotinhas de ponto final.

Priscila